Conheces alguém que sofra de esquizofrenia?

Se alguém fala com Deus é religioso, se Deus fala com alguém é esquizofrénico.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Entrevista à professora Priscila, docente de esquizofrenia

No dia 19 de Maio de 2010, o grupo 1 cujo tema é a Esquizofrenia entrevistou a ex professora Priscila.
Priscila, aos 18 anos de idade enquanto frequentava o primeiro ano na universidade, começou a apresentar alguns sintomas de esquizofrenia afectiva. Referia ouvir vozes, que lhe chamavam nomes.
Foi ao médico, experimentou vários tipos de medicação e realizou exames á tiróide.
Surgiram novos complexos, o de inferioridade e perseguição, afirmando Priscila: ”só estou bem onde não estou”. Não estava bem em lado nenhum, o sentimento de negatividade, a vida solitária que levava, e a falta de objectivos, perseguiam-na constantemente.
Algum tempo depois Priscila foi internada no Sobral Cid.
Hoje, na casa dos cinquenta anos, vai raramente ao psiquiatra. Mas as crises persistem, surgindo esporadicamente, quando entra em depressão e quando lhe dizem que não tem juízo no que faz. Estes acontecimentos são acompanhados por instintos suicidas, azia e quebras de tensão, chegando mesmo a desmaiar, tendo em conta a gravidade da crise.
Priscila caracteriza-se como sendo uma pessoa de difícil relação com os outros, de poucos amigos, com vícios, e por ser uma pessoa invejosa e ciumenta. Além disso refere ter tido um elevado nível de violência com os maridos, mas revelar um comportamento diferenciado para com as crianças. Odeia a violência psicológica.
Como todas as pessoas, Priscila tem hobbies, sendo eles ler, pintar, e línguas estrangeiras.

Palestra sobre esquizofrenia, hoje pelas 18:30 no Casino da Figueira da Foz






O nosso grupo de Área de Projecto irá hoje realizar às 18:30 uma palestra no Casino da Figueira da Foz acerca da esquizofenia, com entrada gratuita. Contamos com a presença do Dr. António Canhão, doutor no Sobral Cid de Coimbra. Esperamos receber muita gente visto que o nosso objectivo será informar a comunidade de que o distúrbio não é tão complexo como pode parecer. Contamos com a sua presença.

Teorias que explicam o porquê da esquizofrenia- Cientificamente aceites




Teoria Bioquímica

É a mais aceite devido ao sucesso das medicações: as pessoas com esquizofrenia sofrem de um desiquilíbrio neuroquímico, portanto falhas na comunicação celular no grupo de neurónios envolvidos no comportamento, pensamento e sensibilidade/percepção.


Teoria do Fluxo Sanguíneo Cerebral

As pessoas com esquizofrenia parecem ter dificuldade na "coordenação" das actividades entre diferentes áreas cerebrais. Por exemplo, a pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da actividade nos lobos frontais, juntamente com a diminuição da actividade das áreas não relacionadas a este foco, como a audição. Nos pacientes esquizofrénicos observamos anomalias dessas activações. Por exemplo, activação da área auditiva quando não há sons (possivelmente devido a alucinações auditivas), ausência de inibição da actividade de áreas fora do foco principal, ou seja, incapacidade de activar como a maioria das pessoas, certas áreas cerebrais.


Teoria Genética

Nas décadas passadas vários estudos feitos com familiares mostraram uma correlação linear e directa entre o grau de parentesco e as possibilidades de surgimento da esquizofrenia. Pessoas sem nenhum parente esquizofrénico têm 1% de possibilidade de virem a desenvolver a doença.
Com algum parente distante essa possibilidade aumenta para 3 a 5%. Com um pai ou mãe aumenta para 10 a 15% , enquanto que com um irmão esquizofrénico as possibilidades aumentam para aproximadamente 20%, quando o irmão possui o mesmo código genético (gémeo idêntico) as possibilidades de o outro irmão vir a ter esquizofrenia são de 50 a 60%.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Teorias que explicam o porquê da esquizofrenia- Não explicadas cientificamente


Teoria do Stress

O stress não causa esquizofrenia , no entanto pode agravar os sintomas. Situações extremas como guerras, epidemias, calamidades públicas não fazem com que as pessoas que passaram por tais situações tenham mais possibiladades de desencadear esquizofrenia do que aquelas que não passaram.


Teoria das drogas

Não há provas de que as drogas lícitas ou ilícitas causem esquizofrenia. Elas podem, contudo, agravar os sintomas da doença. Certas drogas como cocaína ou estimulantes podem provocar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia , mas não há evidências que cheguem a causá-la.


Teoria Nutricional

A alimentação equilibrada é recomendável a todos, mas não há prova de que a falta de certas vitaminas desencadeie esquizofrenia nas pessoas predispostas. As técnicas de tratamento por doses elevadas de vitaminas não têm fundamento estabelecido por enquanto.


Teoria Viral

A teoria de que a infecção por um vírus conhecido ou desconhecido desencadeia a esquizofrenia em pessoas predispostas foi muito estudada. Hoje essa teoria tem vindo a ser abandonada por falta de evidências, embora muitos autores continuem a considerá-la como possível factor causal.


Teoria Social

Factores socias como desencadeantes da esquizofrenia sempre são levantados, mas pela impossibilade de estudá-los pelos métodos hoje disponíveis, nada se pode afirmar a seu respeito. Toda a pesquisa científica precisa isolar a variável em estudo. No caso do ambiente social não há como fazer isso sem ferir profundamente a ética.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tipos de esquizofrenia

Esquizofrenia paranóide

Tipo de esquizofrenia mais comum e também a que responde melhor ao tratamento. Está associada a delírios de perseguição, como pensar que as pessoas os perseguem, falam mal deles, ridicularizam-nos, tentem prejudicá-los ou matá-los. São também frequentes delírios de grandeza, ideias além das suas possibilidades: "Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera. Nem Frank Sinatra é melhor". Algumas vezes este tipo de doentes chegam a ter ideias religiosas e/ou políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana. Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparições de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais.



Esquizofrenia desorganizada

São comuns os problemas de concentração, pobreza de raciocínio, discurso infantil. Às vezes fazem comentários fora do contexto e desviam-se totalmente do tema de conversa. Expressam uma falta de emoção ou emoções pouco apropriadas, rindo-se às gargalhadas em ocasiões solenes ou rompendo por nenhuma ocasião em particular. É também frequente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo que o vento se move na direcção que eles querem ou que comunicam com outras pessoas por telepatia.



Esquizofrenia catatónico

É o tipo de esquizofrenia menos frequente. Apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao doente mover-se. Passa horas sentado na mesma posição. A falta de fala também é frequente neste grupo, assim como alguma actividade física sem propósito.



Esquizofrenia residual


Refere-se a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas sequelas. Neste tipo de esquizofrenia podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.



Esquizofrenia simples


Normalmente, começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de carácter, passando de sociável e anti-social e terminando em depressão. É também pouco frequente.



Esquizofrenia indiferenciada


Apesar desta classificação, é bom destacar que os esquizofrénicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa destas categorias. Também existem doentes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes doentes pode-se atribuir o diagnóstico de esquizofrenia indiferenciada.

Casos de discriminação
"Numa noite uns polícias fizeram-me sinal de paragem numa operação stop. Estava escuro, as luzes piscavam, eu estava apavorada e a tremer. Quando o polícia se aproximou do meu carro, eu estava com tanto medo que não conseguia falar! Ele acusou-me de não cooperar com a polícia. Eu disse que tinha esquizofrenia, ao que ele respondeu: "O que é que uma coisa tem a ver com a outra?" (Elizabeth Anderson, professora, vocalista, diagnosticada com esquizofrenia há 3 anos)
"Eu estava grávida quando me foi diagnosticada esquizofrenia. Os pais dos meus amigos perguntaram-me: «Quando é que vai abortar?»" (Michelle Miserelli, diagnosticada com esquizofrenia em 1988, oradora da Sociedade de Esquizofrenia do Canadá)
"Após o almoço fui ao café, infelizmente, tive uma crise. Não me lembro bem do que aconteceu... mas também não preciso, pois depois disso voltei uma vez a esse mesmo café e foram muitos aqueles que imitaram tudo o que aconteceu naquela tarde." (Daniel Faria, estudante, diagnosticado com esquizofrenia desde os 16 anos)